Se lembram daquela entrevista fantástica que a Fandango fez com o Woody Harrelson? Dessa vez eles tiveram com Gary Ross, e conversaran sobre o porque ele foi atraído a The Hunger Games, o teste da Jennifer Lawrence, a personagem de Katniss, mudanças no filme, coloborando com a Suzanne Collins e quantos filmes ele já está contratado pra fazer.
Mesmo não havendo um anúncio oficial sobre Gary Ross dirigir Catching Fire, ele diz nesse vídeo que ele está "comprometido" ao filme, o que soa como uma confirmação de que nós veremos ele de novo na cadeira do diretor.
Gary Ross: A história não tem nenhuma pausa, eu acho que é isso que eu senti quando eu estava lendo o livro, eu não conseguia chegar na próxima página rápido o suficiente. Eu estava fascinado, estupefato, em choque, envolvido emocionalmente, de uma forma que eu passei a me importar com essa garota de cara. E eu me sentia tão conectado com ela, e ela era real para mim, e eu li poucas histórias que me prenderam desse jeito do começo ao fim, que eu cheguei no momento aonde eu larguei o livro e eu ainda estava em choque, então... Eu acho que nós fizemos isso com o filme, a história é simplesmente uma narrativa urgente, emocionante, e incansável que conta a história de uma menina que é colocada nessa situação completamente sufocante e passa por isso da forma que pode, e muda, cresce e desafia a situação, e sai vitoriosa no final das contas. É uma história completamente e incrível, na qual a personagem cresce a amadurece de uma forma tão rica, que você sabe... Nós não achamos isso com frequência.
Entrevistadora: E a Jennifer Lawrence é tão incrivelmente talentosa e o que eu estava me perguntando era, se foi o momento que você a viu tirando a pele de um esquilo que você soube que era ela, que essa garota tinha instinto de sobrevivência.
Gary Ross: Não, não, foi o teste. Eu fiquei tão impressionado, porque né... Quero dizer, Winter's Bone (Inverno da Alma) né? E eu fiquei, é sério, mesmo? E eu tinha visto ela em outras coisas e eu me lembro de reparar nela em outro filme, e pensar que essa garota realmente é especial, tem alguma coisa de diferente nela, que vai muito além de tudo que se captura na câmera. E aí, eu a conheci, e quando a reunião terminou, eu lembro de falar com as pessoas que estavam trabalhando comigo que eu ficaria abismado comigo mesmo, se ela não fosse a escolhida pro papel, eu estava bem convencido de que ela era a garota certa para o papel. Aí ela veio, e fez o teste, leu algumas falas e me fascinou de tal maneira, que eu fiquei completamente abismado, e eu sabia que tinha que ser ela.
Comentando um pouco sobre o bruto da história.
GR: É um tipo de literatura, um marco, aonde os personagens são colocados em ambientes hostis, seja Gulliver's Travels (As Viagens de Gulliver)... Ou você sabe, os exemplos são Ulisses, os exemplos são inesgostáveis, de pessoas que saem do comforto das suas casas, do seus mundos e são transportados a um mundo completamente diferente, aonde eles tem que se adaptar e amadurescem em consequência disso .
Entrevistadora: Mas nessa caso são crianças.
Gary Ross: É, eu sei, é verdade, isso é verdade. Mas escuta, talvez tenha sido esse o motivo pelo qual a história me atraiu, eu achei que o que ela escreveu foi uma protagonista tão envolvente, parte sim, por causa da sua ferocidade, sua independência, sua garra, seu instinto de sobrevivência, o fato de que ela não confiava em ninguém a sua volta, ela era quase um animal nesse aspecto. Sim, claro ela tinha habilidade como caçadora, e na sua trama, ela conhece esse garoto que não é influenciável, tem um coração de ouro, que ele mantêm extremamente aberto, com um aspecto de redentor, que tem uma adoração sem tamanho por ela, que obviamente é algo da qual ela tem uma desconfiança absurda, então, a trama de Katniss ao longo da história, é que ela passa a ser alguém que aprende a confiar, a ter confiança, que ela aprende a confiar no que que o seu instinto é, e ela começa a história como alguém que só quer sobreviver, e termina a história como alguém que está disposta a morrer por uma causa, por uma pessoa que ela passou a se importar com. E isso é uma trama absurdamente bonita e complexa para uma personagem.
Gary comenta sobre as mudanças na adaptação para o cinema.
GR: Você sabe que sempre haverão mudanças, do livro pra telona, sempre têm. Mas nem sempre são mudanças ruins, as vezes as mudanças vem como oportunidade, sabe, a Suzanne trabalhou tudo da mesma forma, só que no livro ela está restrita ao ponto de vista da Katniss o tempo todo, mas eu tenho os meios de desviar um pouco disso em alguns momentos. No livro, ela tem a oportunidade, não, não a oportunidade, a habilidade de mostrar o que a Katniss está especulando em certos momentos, como pensar que os Idealizadores estão manipulando ela em certos momentos. Ela pensando, que os Idealizadores estão fazendo isso ou aquilo, mas eu não posso filmar as coisas dentro da cabeça dela, mas eu posso filmar o que os Idealizadores estão fazendo. Então realmente é a diferença entre o tratamento que as coisas recebem em suas versões cinematográficas e literárias, realmente se resume a isso.
Sobre trabalhar com Suzanne Collins.
GR: Foi, realmente, um trabalho de colaboração muito maior, e muito mais em conjunto do que eu já tive com qualquer outro autor que eu trabalhei. É a terceira adaptação que eu faço agora e, eu escrevi um rascunho, bom, antes eu conversei extensivamente com a Suzanne, antes de eu fazer o rascunho, aí eu escrevi um rascunho, e eu conversei com ela sobre o que eu achava que a essência do filme era, e nós estávamos em comum acordo em todos os aspectos. Eu escrevi o rascunho e mandei pra ela e ela ficou super animada, e tinha algumas idéias, e veio para Los Angeles e nós começamos a conversar, e antes que eu percebesse, nós estávamos trabalhando juntos. Foi meio que algo surpreendente pra mim, na verdade, começou como uma conversa, e antes que eu percebesse, ou qualquer um de nós percebesse, tinha virado uma colaboração. E eu disse pra ela, "olha, isso aqui é uma loucura, a gente tá trabalhando tão bem juntos, porque que nós não fazemos isso oficialmente, e fazemos o próximo rascunho juntos?" Então eu convidei ela para o processo, e eu e ela colaboramos no rascunho, e pra mim foi o máximo, eu não tinha colaborado com ninguém desde a Ann Spielberg em BIG, e nós nos divertimos muito.
Entrevistadora: Tem tido muito vai e vem de 3, 4, 3, 4, 3, 4. No final das contas, quantos filmes vão ser?
GR: Você quer saber? Eu não tenho certeza.
E: Quantos você já sabe que vai dirigir?
GR: Eu me comprometi com o próximo já.
E: Vocês já começaram a filmar?
GR: Não, eu ainda não comecei a gravar.
E: Mas vocês já tem uma data de lançamento.
GR: Sim, nós já temos uma data de estréia programada.
E: Então que tipo de pressão isso coloca sobre o próximo roteiro, a próxima gravação...
GR: Não muita, porque na verdade eu estou mais preocupado com o lançamento desse primeiro filme do que com o próximo. Quer dizer, eu tenho um lançamento de Hunger Games (Jogos Vorazes) pra mim, que é mais imediato do que o lançamento de Catching Fire (Em Chamas). E eu tenho 1.200 tomadas de efeitos especiais pra trabalhar com, então eu não estou pensando muito no próximo evento que se aproxima, mas nesse que eu tenho em mãos agora.

